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É preciso ter um caos dentro de si para criar uma estrela que dança | |||
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Daniel
Lopes Romance Ano
2008 |
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Lopes entrevista Daniel Lopes link aqui |
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sobre o livro Dentre outras coisas, este livro é um hino à amizade e uma celebração à comunicação estética entre os seres humanos, que também costumamos chamar de Arte. Maninho, o narrador e personagem central da história, é um cara prestes a completar dezoito anos, que vive dividido entre dois mundos: um em que sonha, em breve, tornar-se jogador de futebol profissional, escritor, fotógrafo, músico, pintor, um cara que se dá bem com as mulheres e com a vida; o outro mundo, o real, é bem menos promissor. Nele, Osman é um jovem feio, abandonado pelo pai, que vai mal na escola e não consegue fazer uma pestana, que foi dispensado no teste do time de futebol do supermercado Barateiro e que vive às voltas com as drogas e o álcool. Neste mesmo mundo real, Osman, um cara até legal, é desprezado. Desprezado não, ignorado pelas mulheres. Isso dói. Dói muito, ainda mais quando se tem um melhor amigo, como Théo, que se dá bem em tudo o que ele fracassa, principalmente com as mulheres. Quanto à linguagem, é solta e despojada, lembrando por vezes certos lances do futebol. A própria divisão do livro em apenas dois capítulos (Vira 16, Acaba 32) lembra os dois tempos que a molecada usa nas peladas de rua. Outra aproximação possível de ser feita no âmbito da linguagem é relacioná-la ao som simples e cru das garage bands da década de 60 e dos punks dos anos 70. A música, aliás, transpassa toda a obra. Se fosse pintura, poderíamos dizer que o som é como uma imensa diagonal cruzando a tela. Na boa, estão lá as referências a ícones da cultura pop como The Beatles e Elvis Presley. Estão lá as referências a bandas excelentes e esquecidas como The Moody Blues e Blue Oyster Cult. Estão lá as referências a coisas tão díspares quanto o reggae de um Gregory Isaacs e a música louca de um Erik Satie. Sem preconceitos. Sim, e a música brasileira também está lá, representada pelo pessoal do Clube da Esquina, Fagner, Hermeto, Taiguara e pela própria banda da qual Osman acaba fazendo parte. Este livro é a história de um ser humano desesperado, lutando contra seus próprios limites e contra os limites impostos pelo mundo. Em muitos momentos a própria pontuação segue esse desespero. Quanto mais Maninho insiste, quanto mais se esforça para transformar a si mesmo e ao mundo que o cerca, mais as coisas dão errado, mais as mãos visíveis e invisíveis o empurram para baixo. Osman grita sim; o mundo, suave e cinicamente, responde não. Contudo há um momento em que os dois mundos do Maninho se fundem e o leitor fica sem saber o que é sonho e o que é realidade. Por um lado isso é bom para o nosso protagonista, pois ele pode vestir tranqüilamente sua armadura, pegar no banheiro de casa seu cavalo e fazer algo de grande com sua vida: buscar pão na padaria. Por outro lado existe o problema de que, a qualquer momento, o sonho pode se transformar em pesadelo com pedaços de seu corpo caindo pelo chão, ou com as paredes de seu quarto se fechando para espremê-lo. É preciso ter um caos... é um livro que nos pega muito mais pelo coração que pela cabeça, muito mais pelo sentimento que pela razão, muito mais pelo sonho (e como sonha esse Osman!) que pela realidade. E não é essa mesma uma das características da ficção? Ser um sonho, algo imaginado, capaz de rachar o concreto e mudar o mundo real? |
Não, o que segue não é uma auto-entrevista. Mesmo
correndo o risco de suscitar dúvidas, preferi esse título a Entrevista com Daniel
Lopes - porque nesse caso, ainda pior, pensariam de início ser uma entrevista que
eu concedi em algum lugar. O fato é que eu Daniel Lopes, blogueiro do Piauí fiz uma pequena entrevista por e-mail com o Daniel Lopes paulista, blogueiro também, mas escritor profissional que acaba de lançar o primeiro livro, distribuído pelo selo Os Viralata É preciso ter um caos dentro de si para criar uma estrela que dança. Em momento desarrazoado, Daniel chama este Daniel de crítico logo ele (ou seja, eu), que não entende nada do que os críticos escrevem. Fora isso, está tudo OK. * 1) Em seu livro, Maninho, o personagem principal, bem como a maior parte dos
outros, é alguém recém-entrado na adolescêcia. Na verdade, o romance todo é uma
crônica sobre a juventude. Então me fala um pouco das tuas influências. Você foi
sempre de ler sobre o tema da infância/adolescência, ou escreveu esse romance na
contra-mão das leituras que sempre fez? 2) E parece que com o tempo também passamos a ler coisas piores, digamos, de
Monteiro Lobato a Nora Roberts. Mas enfim. Há vários fatores que concorrem para que o
brasileiro adulto leia menos do que um recém-nascido do Timor Leste, sei lá, mas eu acho
que grande parte da culpa é de como se ensina literatura e português nas escolas. Pelo
menos em minha experiência, a função dos professores de literatura parece ter sido
sempre fazer com que os alunos não gostassem de ler. Eu sei que você mesmo é
professor, então não leve pro lado pessoal. Quero saber: você se tornou escritor apesar
dos professores de literatura? Ou tem alguma professorinha gente boa que você gostaria de
lembrar nessa entrevista tão importante, que está sendo lida por milhões de
brasileiros? Não chore. 3) Certa vez, no jornal Rascunho, li um escritor e professor
defendendo que dar Machado de Assis para um moleque de 15 anos é querer que ele não
pegue num livro nunca mais. Esse mesmo professor defendia que se adotassem nas escolas,
não apenas autores nacionais, mas nomes como John Fante e Franz Kafka, principalmente
antes do Ensino Médio. Que você acha da proposta? 4) Mas voltando à suas influências. Você citou dois nomes que muito me
interessam. Salinger e Fante. Queria saber tuas impressões do Apanhador... (The
Catcher in the rye) e, se possível, de Pergunte ao pó (Ask the dust),
do Fante, embora eu considere 1933 foi um ano ruim seu melhor livro; mas vamos
ficar com os mais célebres. 5) Quais nomes da nova literatura brasileira, estejam eles nas grandes editoras ou nas pequenas, você gostaria de ver todo mundo lendo? Além do seu próprio, claro. Olha, não sei se já te falei, mas tenho uma política quanto a isso. Não gosto de ler autores vivos. Quero até ler o Coetzee, de que você tanto fala, mas estou esperando ele bater as botas primeiro. Sei lá, não me sinto bem com escritores vivos. Entretanto, gostaria de ver o pessoal lendo a Márcia Barbieri, ou a Silvana Guimarães. Quanto a esses caras que estão escrevendo hoje no Brasil, pelo menos desses que a gente houve falar os nomes, eu acredito que é tudo uma grande panela, como tudo o mais nesse país. São sempre os mesmos nomes, e você vê que eles adoram posar de escritores para as fotos. Essa é a pior parte de escrever, na minha opinião, ter que divulgar a coisa. Só que parece que os caras gostam disso. Tudo pra eles é uma discussão, cada um se achando mais inteligente, mais culto, mais bonito, mais sensível que o outro. Escritor é bicho muito chato, por isso que eu não dou moleza pra eles. E tem mais, se você for ver bem, até esses aí que estão ganhando bolsa da Biblioteca Nacional e essas outras bolsas todas são sempre os mesmos. Formaram a panela e não deixam ninguém de fora entrar. Vou falar pra você, eu bem que gostaria de que todo mundo lesse as minhas histórias e as achasse mesmo boas, mas se o preço pra isso é ter que ir a esses bares de escritores e intelectuais, à Fnac e etc... então vou ficar sem ser lido mesmo, não tem como, essa raça é chata demais. Prefiro ficar aqui pela periferia. De vez em quando dou um livro para algum moleque, porque vender é difícil mesmo, e ele lê e depois a gente toma cerveja e troca idéia.Tem meninos e meninas que gostam, outros não gostam, mas eu pago a cerveja e eles mentem pra mim e todos ficamos contentes. Esse negócio das pessoas dizerem que gostam da sinceridade é tudo mentira, elas querem mesmo é que você fale bem delas. Querem ser amadas, respeitadas e elogiadas, as pessoas, que mal há nisso? Mas inventaram a tal da sinceridade e aí todo mundo ficou fodido. 6) Quanto ao seu gosto por ler apenas autores falecidos, depois te passo o nome
de um psicólogo muito bom que conheço, hehe. Mas enfim. E a crítica literária, hem? Li
recentemente críticas a nossos críticos, dizendo que há muita bafejação. Falta
profissionalismo aos críticos? 7) Pra quando é o resto da sua trilogia? Você ainda está escrevendo ou já
escreveu os dois outros volumes? 8) Vou cobrar. Agora, pra finalizar, tenha a bondade de me agradecer pela
entrevista, elogiar meu blog e dizer que o prazer foi todo seu, hehe. |
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